Nov. 10, 2025

Episódio 20. Quando soltamos o controlo, os milagres acontecem

Episódio 20. Quando soltamos o controlo, os milagres acontecem
Episódio 20. Quando soltamos o controlo, os milagres acontecem
Olá!
Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".

Esta semana faço-vos várias confissões numa só. Que é como quem diz, sobre um só tema, tenho tanta confissão para vos fazer…

Quero falar-vos daquela coisa mágica mas estranha que acontece que é: quando soltamos o controlo (sobre alguém, sobre alguma coisa, sobre algum resultado) a magia acontece.

Espero que desfrutem.

Neste episódio mencionamos:
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios.

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik

Podcast

Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação.

Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.

Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.

Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.

Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”. Esta semana faço-vos várias confissões numa só. Que é como quem diz, sobre um só tema, tenho tanta confissão para vos fazer…

Esta semana, quero falar-vos daquela coisa mágica mas estranha que acontece que é: quando soltamos o controlo (sobre alguém, sobre alguma coisa, sobre algum resultado) a magia acontece.

Na formação em negócios que fiz na Primavera passada, ouvi falar muito nesta questão de soltar o controlo no contexto de delegar, ou seja, de confiar que a ou as pessoas que escolhemos para fazerem uma ou várias funções vão ser capazes de desempenhar (brilhantemente) essas funções, sobretudo se não estivermos sempre em cima delas a controlar tudo o que fazem.

Por vezes, esta ideia pode ser estranha: “como assim, alguém vai fazer melhor que eu esta tarefa que eu inventei?”

Mas a verdade é que quando soltamos, a magia acontece. E isso é visível em cinquenta e quatro mil aspectos diferentes das nossas vidas, e eu passo a contar-vos alguns da minha vida em que eu pude observar esta máxima a tornar-se realidade.

Aqui há dias, em conversa com um primo meu super-mega corredor, estávamos a falar sobre os treinos e sobre a preparação para as provas. Porque quem se prepara para uma prova de corrida sabe que pode fazer a melhor preparação do mundo e, chegado o dia da prova, as coisas correrem mal. Não é preciso muito para que no dia da prova as coisas não corram de feição: se não dormimos bem na noite anterior, ou não nos alimentámos bem nos últimos dias e horas; se não bebemos água suficiente; se pousámos mal o pé e nos magoámos; se as sapatilhas, com aquelas meias especificamente, nos fazem bolhas. Se temos dor de burro, ou se no dia está a chover, ou se está calor a mais, frio a mais ou humidade a mais. Se nos esquecemos de trazer o gel ou os géis na quantidade certa. Enfim, qualquer pequena coisa pode ditar que a prova não nos corre de feição. E por isso, o foco tem de ser na preparação para a prova: cumprir o plano de treinos, tal como preconizado; e fazer os rituais de preparação, tendo em conta o jantar do dia anterior, para ser rico em energia mas, ao mesmo tempo, deixar-nos dormir descansados. E no dia, um bom pequeno-almoço com alimentos que já conhecemos, para não termos surpresas, nem cólicas a meio do caminho.

(Sobre cólicas a meio do caminho tenho para vos confessar que não saio de casa sem papel higiénico, não vá dar-se o caso de precisar de visitar uma casa de banho que não esteja fornecida…)

E portanto, chegado o dia da prova, é o momento de acreditar que fizemos tudo o que estava ao nosso alcance e soltar o controlo, seguir o plano mas tendo sempre a flexibilidade para o mudar, caso se justifique.

O mesmo se passa no desenho. Por norma, nas nossas sessões de Desenhamos Juntas, procuro propor exercícios que nos levem a soltar o controlo – no caso, que nos levem a praticar soltar as expectativas em relação ao resultado final. Vá, isto não se consegue num dia, mas também Roma e Pavia não se fizeram num dia.

Nos exercícios no Desenhamos Juntas, há vezes em que não podemos olhar para o papel, e, por exemplo, outras vezes temos de usar a mão não-dominante. O que é certo é que estes exercícios nos obrigam a focar na preparação e sobretudo obrigam-nos a manter o foco no momento presente. Ao mesmo tempo, exercitam a nossa resiliência, porque quando o nosso crítico interno vê que o resultado do exercício poderá não estar conforme o que ele idealizou, desata numa conversa dentro da nossa cabeça que pode ser paralisante. Claro que, no Desenhamos Juntas, nós trabalhamos precisamente a relação com o nosso crítico interior ao colocá-lo em situações em que ele vem ao de cima – é assim um pouco como a vacinação trabalha o nosso sistema imunitário para nos defender das infecções, da mesma forma nós vamos nos expondo ao nosso crítico interno para sabermos como lidar com ele quando se deparar com uma situação francamente assustadora.

Voltando então ao soltar o controlo, a minha lista de confissões é grande… São vários os momentos em que, por excesso de controlo ou intervenção da minha parte, a magia não aconteceu. E que só quando eu soltei o controlo, é que a magia aconteceu. E o exemplo de hoje é sobre tricot – e quem aqui é tricotadeira põe a mão no ar.

(Eu tenho a mão no ar.)

Tenho aqui um projecto entre mãos que tem um prazo. Imaginem vocês, a pessoa deste mundo que porventura mais devagar tricota decidiu fazer um projecto com um prazo, que só por si já era apertado. Por essa razão, comecei-o com restos de lã que tinha cá em casa, pensando que não deveria ser difícil comprar mais fio, dado que se trata de uma marca facilmente acessível cá em Portugal.

Vai daí, começando a ver o novelo a diminuir, e já com um pedaço significativo do projecto tricotado, vou comprar mais lã.

Agora digam-me o que acham que aconteceu: foi fácil comprar mais lã? Nããããão. Foi uma surpresa ser impossível de encontrar nas minhas retrosarias habituais? Foooooi. Até que encontrei uma retrosaria que me ajudou, fez a encomenda para a marca e…

Pois. Aqui começa a parte do soltar o controlo, mas ainda na versão de não soltar o controlo. Coitadas das incríveis pessoas da retrosaria, eu estava com uma pressa para ter o fio e não havia maneira. E não por culpa delas: por diversos grãos na engrenagem, não havia maneira de o fio lhes chegar à loja, para mo poderem enviar a mim. E eu, numa aflição só a ver os dias a passar e a probabilidade de entregar o projecto feito no prazo a diminuir, telefonava todos os dias a saber se havia notícias.

Hoje olho para trás e penso naquelas almas caridosas que sempre me atenderam com tanta paciência – acho que têm um lugar guardado no céu.

Mas a verdade é que a magia só aconteceu quando eu parei de lhes telefonar todos os dias (coitadas, desculpem, desculpem!). Um belo dia, não muito tempo mais tarde, telefonam-me a dizer que estão prontas a enviar a encomenda! E hoje a campainha tocou e o carteiro entregou uma caixa linda e fofa, com uma mensagem linda e fofa das retroseiras, e as minhas lãs prontinhas para se irem transformar no meu projecto com prazo. Eu ainda acredito!

E agora que já vos confessei que nesta coisa de soltar o controlo continuo a ser aprendiz, digo-vos que há lugares em que gosto mais de ser aprendiz que noutros. Há áreas da vida em que nos custa mais soltar o controlo, então, encontrar outras áreas em que é mais fácil de praticar isso é muito bom.

Por isso é que no Desenhamos Juntas temos estado a fazer muitos exercícios com pincel e aguarela – primeiro, o pincel permite muito menos controlo do que um lápis afiado ou uma caneta calibrada; segundo, a aguarela, por ser um meio que precisa de água para ser usado, introduz essa variável. No fundo, a aguarela vive do rácio entre pigmento e água, e ainda de que forma é que pigmento e água se agarram às cerdas do pincel.

Digamos que é assim uma espécie de tubo de ensaio, ou de parque infantil para adultos, em que podemos experimentar brincar com pincéis, tintas e água para nos divertirmos e explorar como nos sentimos quando as coisas não saem como desejaríamos. É uma óptima maneira de percebermos que, por vezes, as coisas que idealizamos não são o melhor resultado que poderíamos obter; e que, quando soltamos o controlo, a magia – e os milagres da aguarela – acontecem.

Se tiverem vontade de começar a desenhar com aguarela, vão encontrar um guia gratuito na página de recursos. E poderão sempre juntar-se a nós no Desenhamos Juntas, um encontro semanal, online, todas as segundas-feiras às 13 horas de Lisboa. Os links para o guia e para o Desenhamos Juntas vão estar nas notas do episódio.

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.

E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

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