Episódio 22. Sempre diferentes: pintamos com o corpo e com a mente
Olá!
Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".
Em cada sessão de Desenhamos Juntas, fazemos uma série de exercícios de desenho cujo objectivo é “apertar”, digamos, o cérebro. Com o cérebro num aperto e sem tempo para pensar, a mão tem de ir buscar soluções no mais íntimo de nós, inclusivamente soluções que não sabia sequer que existiam dentro de nós. E é aqui que a magia começa a acontecer.
Espero que desfrutem.
Neste episódio mencionamos:
Episódio 21. Sobre a viagem a Macau.
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
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Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik
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Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio.
Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação. Um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento. Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo. Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas confissões.
Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”, agora já de volta da viagem de Macau e de volta às sessões de Desenhamos Juntas.
Sobre Macau, convido-vos a ouvirem o episódio 21, e aviso já que tenho a sensação de que irei falar desta viagem a Macau muitas vezes num futuro próximo. Foi uma viagem maravilhosa, e quando coisas maravilhosas e emocionantes nos acontecem, às vezes levam o seu tempo a decantar.
Uma das coisas de que mais tive saudades enquanto estive em Macau foi das sessões de Desenhamos Juntas. Antes de ir, deixei gravadas as sessões em que não estaria presente e as minhas queridas participantes juntaram-se online para fazerem cada uma das sessões. Adorei a iniciativa delas! Aliás, adoro como às vezes tenho assim uma ideia – a de deixar as sessões gravadas – e as minhas pioneiras pegam nessa ideia e lhe dão uma volta que a deixa mil milhões de vezes mais fixe. No caso, juntando-se elas próprias para fazerem a sessão juntas.
Como vos dizia, tinha muitas saudades de desenhar com elas, em formato síncrono – até porque, como já puderam constatar, as minhas pioneiras são pessoas mesmo incríveis.
Depois de ter aterrado em Lisboa num Domingo, cansada e com os sonos todos trocados, na segunda-feira foi logo dia de Desenhamos Juntas. E olhem, acho que não minto se vos disser que foi uma festa. Bem, eu, pelo menos, senti a sessão assim!
De Macau tinha vindo com a mala carregada de comida, uma tendência que descobri da primeira vez que emigrei e que nunca mais esqueci: emigrante que é emigrante anda sempre com a mala cheia das delícias das suas duas casas. No caso presente, aqui me confesso, trazia a mala cheia de tesouros exóticos como mangas, farinha de arroz glutinoso (que lá tem um preço normal, e aqui em Lisboa custa um rim) e ainda duas lindas e coloridas frutas do dragão, cheias daquelas escamas que lhes são próprias.
Ora chega segunda-feira e a nossa sessão de Desenhamos Juntas e que outra referência fomos desenhar, senão essa linda, jurássica e especial fruta do dragão? Com a maravilhosa cor que tinha e a sua textura quase ancestral?
Mas hoje não vos quero falar especialmente do que desenhámos – apesar de ter sido uma referência especial – mas sim do que falámos depois.
Em cada sessão de Desenhamos Juntas, fazemos uma série de exercícios de desenho cujo objectivo é “apertar”, digamos, o cérebro. Com o cérebro num aperto e sem tempo para pensar, a mão tem de ir buscar soluções no mais íntimo de nós, inclusivamente soluções que não sabia sequer que existiam dentro de nós. E é aqui que a magia começa a acontecer, quando do “aperto” do cérebro começam a brotar de dentro de nós essas soluções inesperadas, aparentemente feitas à pressa, mas que são uma materialização do nosso mundo interior.
Nesta sessão, isto foi especialmente óbvio.
Depois de terminados os exercícios de desenho, a sessão não acaba sem uma ronda de partilha dos trabalhos. Este é um momento importantíssimo da sessão, não numa óptica de avaliação dos desenhos, atenção, mas sim de consolidação e integração da aprendizagem.
Nesta sessão em que desenhámos a fruta do dragão, tivemos todas resultados muito diferentes. Da mesma referência, nasceram representações completamente diferentes umas das outras. E, de novo, não numa escala de “melhor-pior”, mas sim como uma imagem concreta de fenómenos internos.
Por exemplo, enquanto que os meus traços são, por norma, tremidos, uma das participantes tinha traços quase geométricos. Nesta altura, falei de uma coisa que tinha lido sobre Charles M. Schulz, o criador dos Peanuts, nomeadamente o famoso Charlie Brown e o seu ainda mais famoso cão Snoopy. Conhecido pelo seu traço inconfundível, Charles Schulz costumava ouvir precisamente essa pergunta: como fazia para ter um traço assim tão expressivo? Ao que ele encolhia os ombros e respondia: “a minha mão treme!”
Bem, e é exactamente isso o que me acontece a mim: a minha mão também treme. Quero aqui confessar-vos uma coisa: perfeccionista como sou, levei algum tempo a aceitar que os tremeliques da minha mão não eram um defeito, mas sim feitio. Que o facto de a minha mão tremer não era um ponto negativo na hora de pegar nos pincéis, pelo contrário. O meu traço é o meu traço porque a minha mão tem estas características.
E isto o que nos vem mostrar? Vem-nos mostrar que as características dos nossos desenhos não são fruto exclusivo de uma tentativa de chegar a um resultado idealizado. Cada desenho que fazemos é inevitavelmente dotado das características do nosso corpo e da nossa mente. Da maneira como os nossos olhos e o nosso cérebro vêem as cores e as formas; da maneira como a nossa mão segura no pincel, a pressão que faz; se o pulso gira com flexibilidade ou não. Todas estas características do nosso corpo e da nossa mente fazem-nos ser nós, fazem-nos ser muito nós, e mais ninguém. Porque mais ninguém tem exactamente as mesmas características que nós temos, e ainda bem.
No livro “Alice no País das Maravilhas”, pede-se à Alice que nunca perca a sua “muchosidad” – e adoro esta palavra inventada em espanhol, que poderia traduzir como “muitosidade”, porque pega exactamente naquilo que às vezes podemos pensar que são defeitos, ou, no mínimo, desvios da norma idealizada, mas que na verdade são características nossas que fazem de nós estas entidades infinitamente imperfeitas, mas infinitamente interessantes nas nossas imperfeições. Se quiséssemos desenhos perfeitos, utilizaríamos as ferramentas existentes para isso: antigamente, régua, esquadro, escantilhões, compassos; mais tarde, computadores, e ainda mais tarde, iPads e quejandos. Mas não: nós queremos desenhos infinitamente imperfeitos, e por isso incrivelmente interessantes. São desenhos que revelam os recantos escondidos dentro de nós – isto, se quisermos pôr o nosso chapéu de detective e se quisermos olhar para os desenhos com muita curiosidade.
É certo que o crítico interno vai falar. Vai falar, porque a função dele é proteger-nos do risco – e fazer um traço tremido pode ser arriscado para o nosso ego, e por isso o crítico interno dispara. Mas se conseguirmos que a curiosidade fale mais alto, então olhar para os nossos traços imperfeitos, ou para a forma como usamos a cor, mais saturada ou menos saturada, para a forma como dispomos os traços uns em relação aos outros, como os sobrepomos ou não, vai revelar muito mais sobre o nosso interior. E basta criar o espaço para olhar para os desenhos que fizemos com muita curiosidade.
E foi isto que fizemos – e aliás fazemos sempre – na sessão do regresso após a viagem a Macau. Foi um momento especial, porque em vez de olharmos para os desenhos de umas e outras com olhos de “ai mas ela desenha tão bem”, olhámos com olhos de curiosidade, entendendo que o que se vê nas páginas dos nossos diários gráficos é a materialização da nossa “muchosidad”, das nossas características – não só físicas, mas também mentais.
É incrível pensar que um pequeno desenho num diário gráfico possa dizer tanto sobre nós, sobre o nosso interior, sobre quem somos – mas é verdade. E é por isso que estas sessões aparentemente tão simples são também tão poderosas, porque nos oferecem uma ferramenta para nos conhecermos a nós próprias, num círculo seguro, num contexto em que todas nos apoiamos umas às outras.
E é por isso que eu adoro, simplesmente adoro, as sessões de Desenhamos Juntas. A verdade é que nunca poderia ter imaginado o quão importantes estas sessões são para mim, nem quantas emoções iria viver ao facilitá-las. É incrível como a magia acontece quando criamos o espaço e soltamos o controlo, e nos rodeamos das pessoas mais incríveis para nos acompanharem nesta aventura.
As inscrições para o Desenhamos Juntas já estão abertas a todas as pessoas que se queiram juntar. Venham desenhar connosco todas as segundas-feiras às 13 horas de Lisboa, quer tenham experiência ou sejam completamente principiantes. Venham desfrutar deste momento lúdico de brincar com as cores, as formas, as tintas e os pincéis. Ofereçam-se essa meia hora de pausa lúdica, e venham partilhá-la connosco. Eu sei que a minha opinião poderá não ser completamente idónea, mas acho que vão adorar. Bem, eu sei que eu adoro, e que a segunda-feira poderá até ser o meu dia favorito da semana, contrariamente ao que é habitual. E por isso, deixo também aqui o convite para que se juntem a nós. Vou deixar o link para a página de informações e inscrições nas notas do episódio, que estará acessível tanto no site como nas apps de podcasts. E venham daí muitos e espectaculares desenhos!
Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @air_billy.
Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.
E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.
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