Dec. 1, 2025

Episódio 23. A importância das actividades “só porque sim”

Episódio 23. A importância das actividades “só porque sim”
Episódio 23. A importância das actividades "só porque sim"
Olá!
Dou-vos as boas-vindas a este episódio do podcast "Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação".

Esta semana quero falar-vos de um tema que me apaixona – e, confesso desde já, só há relativamente pouco tempo o descobri. E que tema misterioso vem a ser esse, podem estar vocês a perguntar? Falo precisamente sobre a importância das actividades “só porque sim”.

Espero que desfrutem.

Neste episódio mencionamos:
Guia gratuito para começar (e continuar) a desenhar todos os dias.
Desenhamos Juntas, a sessão semanal em que desenhamos em diário gráfico, umas com as outras.
Conectar para Liderar, o meu programa de grupo para mulheres que desejam voltar a reconectar-se com a sua criatividade, quer tenham inclinação artística, quer não.
Onde podem subscrever o podcast para serem as primeiras a saber quando há novos episódios.

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em www.airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

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E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

Créditos: “Cover Girl” de Beat Mekanik

Podcast

Todas as terças, recebe na tua caixa de correio uma Confissão de uma super-perfeccionista em recuperação.

Antes de começar o episódio desta semana, quero contar-te que já abrimos as inscrições para o Desenhamos Juntas. O Desenhamos Juntas é um encontro semanal, à segunda-feira, às 13h de Lisboa, em que, durante aproximadamente 40 minutos, vamos fazer exercícios de desenho para soltar o perfeccionismo e aconchegar a alma. O link para a página do Desenhamos Juntas vai estar nas informações deste episódio.

Dou-te as boas-vindas a mais uma confissão de uma super-perfeccionista em recuperação, um podcast sobre perfeccionismo, criatividade e empoderamento.

Nestas confissões, vou partilhar contigo os altos e baixos do meu longo caminho de recuperação do super-perfeccionismo.

Se também tu tens vontade de deixar para trás a excessiva exigência contigo própria, soltar o perfeccionismo e abraçar a criatividade que tens dentro de ti, quer te consideres uma pessoa artística, quer não, então fica aqui nas “Confissões”.

Olá e sejam bem-vindas a este episódio de “Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação”.

Esta semana quero falar-vos de um tema que me apaixona – e, confesso desde já, só há relativamente pouco tempo o descobri. E que tema misterioso vem a ser esse, podem estar vocês a perguntar? Falo precisamente sobre a importância das actividades “só porque sim”.

Tenho de começar por explicar o que são estas actividades “só porque sim”.

Poderão estar a notar alguma insistência na repetição do termo actividades “só porque sim”, e, desde já vos confesso, essa insistência não é casual.

Mas vamos por partes. Então, afinal de contas, o que são as actividades “só porque sim”? As actividades “só porque sim” são aquelas actividades que escolhemos fazer porque nos trazem alegria e prazer e não servem para absolutamente nada que tenha que ver com os âmbitos profissional ou familiar.

As actividades “só porque sim” servem mesmo só porque nos dão prazer e nos trazem alegria.

Mas acho que, hoje em dia, precisamos de definir um bocadinho melhor o que são estas actividades, pois poderá ser fácil cair em actividades que não servem qualquer propósito familiar ou profissional mas que, ainda assim, não qualificam como actividades “só porque sim”.

As actividades “só porque sim” trazem-nos alegria e prazer e têm qualquer coisa de mágico, ou alquímico, que nos volta a conectar com aquela alegria que sentíamos em criança quando brincávamos ou fazíamos alguma actividade de que gostávamos muito.

As actividades “só porque sim”, regra geral, não são actividades relacionadas com dispositivos electrónicos. Poderá haver excepções – digam-me vocês – mas normalmente as actividades relacionadas com ecrãs, por muito apetecíveis que possam ser, têm um efeito anestesiante. As actividades “só porque sim”, pelo contrário, têm um efeito revigorante.

Portanto: estar a fazer scroll no Instagram para nos distrairmos um bocadinho não é uma actividade “só porque sim”. Ver uma série de televisão ou um filme também não. Tudo o que se enquadre num âmbito de distrair para anestesiar não é actividade “só porque sim”.

As actividades “só porque sim” são actividades que nos acendem por dentro. São aquelas actividades que nos deixam entusiasmados só de pensar nelas. Deixam-nos em pulgas para as podermos fazer. E quando estamos a fazê-las, é fácil entrar naquele registo “zen”, ou “flow”, como dizem os anglófonos. Estamos tão dentro delas que nos encontramos num nível de concentração que nos energiza e nos revitaliza.

Conto-vos um bocadinho sobre as minhas actividades “só porque sim” e qual o papel que desempenham na minha vida.

E, confesso-vos, só de pensar em escrever sobre elas já estou entusiasmada! Vejam só o poder que elas têm.

Tenho três actividades “só porque sim”, duas delas relacionadas com música; uma relacionada com as artes visuais (e que não é surpresa para ninguém).

Aqui há uns anos, comecei a ter muita vontade de saber tocar algum instrumento musical para poder acompanhar as tocatinas nas festas de família. Tanto do lado do meu pai, como do lado da minha mãe, a família é muito musical e, nos convívios, é normal puxarem de guitarras, chegarem-se ao piano e até já vi primos a pegarem no contrabaixo! e zuca, cá vai cantoria!

E eu… que dizer, comecei a sentir vontade de os acompanhar. Então pensei que talvez o cavaquinho fosse uma boa aposta: é pequenino e portátil, é fácil de aprender alguns acordes básicos, e com isso já faço a festa. E assim foi. Tenho a sorte de ter um marido musical que me ensinou algumas coisas simples, e assim comecei. Ao início, sentia dificuldade em acertar o ritmo da mão direita ou que parte dos dedos ou das unhas toca, de facto, nas cordas; na mão esquerda, sentia dificuldade em transitar de uns acordes para os outros, sobretudo aqueles que requeriam posições menos habituais para os meus dedos. Mas, aos poucos, com a repetição, comecei a conseguir fazer essas transições de maneira mais fácil e a conseguir coordenar um pouco melhor o ritmo da mão direita. Comecei a pesquisar os acordes da música que me chamava a atenção, e, aqui vos conto, que tanto adoro tocar Marco Paulo como Dua Lipa ou Billie Eilish. E porque não, não é verdade?

Para além do cavaquinho, e ainda relacionado com música, quero muito contar-vos que há um par de meses que voltei a pertencer a um coro! E só de pensar nisso, já fico feliz e emocionada! Pertencer a um coro é algo de absolutamente mágico. E porquê? Porque tantas vozes a cantarem coisas diferentes e que depois tudo encaixe é absolutamente maravilhoso. Um coro é a ilustração, na vida real, da afirmação de que “o todo é mais que a soma das partes”.

Ainda me lembro da primeira vez que fui a um ensaio de um coro, ainda sem saber muito bem como isso iria mudar a minha vida. Tinha acabado de chegar de Macau, terminado o 12º ano, e estava prestes a começar a nova vida da faculdade, em Lisboa. E fui com a minha irmã mais velha ao coro a que ela pertencia, sem saber muito bem ao que ia. Ela prometeu: “vais gostar, anda!” e eu, bem mandada, lá fui.

Quando lá cheguei, havia o bulício habitual de muita gente junta numa sala, mas de repente toda a gente assumiu as suas posições e começaram a cantar. Uma voz primeiro, depois a outra, depois a outra… e quando se juntam as vozes de todos os naipes, toda eu me arrepiei e senti, com todo o meu corpo, “eu quero fazer parte disto”.

Foi nesse dia, e nesse ensaio de coro, que conheci quem, muitos anos mais tarde, viria a ser o meu marido. Quem havia de dizer, não é?

Continuei no coro enquanto estive na faculdade, mas depois, com a chegada das obrigações profissionais, o coro passou a ser uma linda memória. Enfim, avancemos agora aí uns vinte anos, pelo menos, várias mudanças intercontinentais, e cheguemos agora ao Outono de 2025, quando vi que este coro específico tinha ensaios a uma hora e num lugar que encaixava perfeitamente na minha agenda. Nem queria acreditar, e tomei a decisão de que queria voltar a cantar em coro. E assim foi! E agora estamos a ensaiar duas canções de Natal, que até são muito agudas para a minha voz, mas que nem mesmo assim quero deixar de as cantar. Juntar a minha voz ao meu naipe, e ouvir as harmonias lindas quando cantamos com os outros naipes é absolutamente mágico. Dentro de mim, processa-se um qualquer tipo de alquimia que me faz sair do ensaio a flutuar e que faz ecoar, dentro da minha cabeça, as canções que estamos a ensaiar. É mágico, mágico, mágico. Não sei se já vos disse que é mágico?

E isto traz-nos à minha terceira actividade “só porque sim”, que na verdade até antecedeu as duas anteriores, é o desenho em diário gráfico. Depois do ano de fezes que foi 2020, decidi que em 2021 tentaria fazer algo que fosse por mim, e “só porque sim”, e então decidi que esse algo seria fazer um desenho por dia. Mal sabia eu, na altura, que o desenho em diário gráfico iria dar origem, muitos anos mais tarde, ao Desenhamos Juntas, as nossas sessões semanais de desenho, em formato online.

É verdade que, muitos anos mais tarde, esta actividade “só porque sim” acabou por ter uma consequência profissional, sim. Mas, curiosamente, esta continua a ser uma actividade “só porque sim”, que faço porque me dá prazer, me diverte, e que me permite continuar a brincar com pincéis, tintas e cores. É esta a energia que transporto todas as semanas para o Desenhamos Juntas, porque para obrigações e exigências já temos o resto da vida.

É curioso, porque quando me tento lembrar da alegria de desenhar, quando era criança, acabo por ter poucas memórias. O meu super-perfeccionismo entrou em força, ainda muito nova, e fez-me perder essa chispa de alegria só pelo facto de estar a desenhar. Muito cedo, o resultado do desenho ganhou uma importância que não deveria ter tido. E o resto da vida tem sido uma desconstrução dessa expectativa em relação ao resultado final, uma desconstrução desse apego ao resultado, como se a qualidade do resultado final definisse a qualidade do processo.

Desde 2021 que trabalho todos os dias, no meu diário gráfico, esse desapego do resultado final. E que, a brincar com pincéis, tintas, canetas e lápis, recupero também desse super-perfeccionismo que tantas vezes me paralisou. Já vos contei aqui no podcast o quão paralisada me sentia e acabava por não desenhar nada, não gastar com medo de estragar, sentir que os materiais, ou os cadernos, eram bons demais para os desenhos que eu iria conseguir fazer. Posso dizer-vos que sentir essa vontade de desenhar em todas as células do meu corpo, e depois não o fazer porque não iria ser “bom o suficiente”, foi como construir um enorme dique num curso de água que deixou de fluir livremente. E decidir desenhar todos os dias, um bocadinho que fosse, foi das coisas que me voltou a conectar com esse fluxo, a ir derrubando, um desenho de cada vez, esse dique que estancou a minha criatividade.

Nas nossas sessões de Desenhamos Juntas, tenho muito presente que estou a facilitar aquela sessão para me divertir; para me voltar a centrar no processo; para me voltar a conectar comigo mesma. A maioria das vezes, o crítico interno salta, aflito, a pensar que tudo o que eu estou a desenhar é uma nódoa, está tremido, está aquém do que eu tinha idealizado. Mas a magia acontece quando eu partilho com as participantes o que o meu crítico me está a dizer, porque as suas palavras perdem força e eu posso voltar a centrar-me na alegria de pintar.

Todas as segundas-feiras, às 13 horas de Portugal Continental, as participantes e eu fazemos esta actividade “só porque sim”, só porque nos traz prazer. Não são aulas formais de desenho, mas não tenham dúvidas de que nelas eu aprendo muito: a resiliência, o foco no processo, a alegria dos acidentes felizes que acontecem quando soltamos o controlo. E sinto-me acolhida pelas participantes, pelo seu carinho e pela sua coragem para se desafiarem, sem saberem, elas próprias, qual o resultado.

De maneira que vos convido, a vocês também, a encontrarem a vossa actividade “só porque sim”. Pensem no que vos trazia alegria quando eram crianças; pensem no que vos faz vibrar só de pensar. E, se quiserem começar a desenhar, têm na página de recursos do meu site um guia gratuito para o fazerem, cujo link deixarei nas notas do episódio.

E se já decidiram que querem mesmo desenhar, e em boa companhia, juntem-se a nós no Desenhamos Juntas, todas as segundas-feiras às 13 h.

Confissões de uma super-perfeccionista em recuperação é um podcast de Ana Isabel Ramos, designer, ilustradora, autora de livros e mentora de criatividade em airdesignstudio.com e no Instagram como @‌air_billy.

Se não queres perder nenhum episódio, poderás subscrevê-los na tua plataforma preferida de podcasts, ou então assinarr a newsletter em airdesignstudio.com para os receberes semanalmente na tua caixa de correio.

E se algo neste episódio vibrou dentro de ti, partilha-o com as pessoas da tua vida que poderão também encontrar um eco nestas confissões. Um passo de cada vez, recuperaremos do perfeccionismo e abraçaremos a fluidez para trazermos à superfície o melhor de nós.

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